Mary Cassatt pintava com frequência cenas da vida privada das mulheres e crianças. A Carta foi um desses casos, tendo sido criada no estilo japonês de xilogravura. As decorações gráficas do vestido da mulher, assim como o papel de parede por detrás, remetem para a extensão da influência da arte japonesa no seu estilo. A obra, porém, retratando uma mulher sentada num espaço interior frente a uma escrivaninha e selando um envelope, é mais que uma pintura de género. Ao concebê-la numa sala, Cassatt quis afirmar-se sobre a forma como as senhoras eram tratadas. Ela senta-se sozinha dentro de casa porque as normas sociais da altura restringiam as suas atividades no exterior.